segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Estou en-can-ta-da com o blog Technicolor Kitchen. Nos momentos de tédio do trabalho (que aconteceram todos os dias desde então), fuço a internet à procura de distrações. Não lembro o porquê de ter caído nos blogs de culinárias, mas viciei!
O que me espantou a respeito do Technicolor foi a qualidade de tudo - fotos, textos, receitas. Cada foto com cara profissional, com paninhos fofos ao fundo, lindas apresentações, luz natural, um luxo!
Estou pensando em fazer algumas receitas, a começar com o Bolo de São Clemente. Para quem não sabe, sou doida por bater bolo e ando sempre à caça de novas receitas. Esse é um bolinho branco regado com calda de limão siciliano e laranja. Tem como não amar?

Vamos tirar a poeira desse lugar!
Muitas coisas aconteceram desde o ano passado. Finalmente tenho meu ap! Pequeno, clarinho, cheio de adaptações criativas, faltando muitas coisas mas sobrando felicidade.
O namorado, meu Deus, por onde eu começo? Resumindo só faltava ele ser rico para ser perfeito, hahahaha. Mas não tenho dúvidas de que ele tem capacidade para tal feito.
Bernardo continua lindo, cada vez mais falante, doido por matemática, aceitando super bem passar a semana com o pai e a avó e os finais de semana comigo, já que as aulas ainda não começaram. Sim, ele continua comendo frutas adoidado!
O emprego ainda não é dos sonhos, mas eu chego lá. Segunda semana nele e tenho grandes planos.
O dinheiro está contadinho e confesso que o final do mês pode ser uma incógnita. Vamos torcer para que o universo continue me provendo, como sempre o fez!
Resumindo, estou feliz. Se não fosse o salário baixo, diria que o universo finalmente deu um pause em me foder.

Aproveitando o espaço, to pensando em focar o blog em coisas que eu realmente amo: culinária e decoração.
Como o ap novo descobri muitas coisas criativas para se fazer com objetos diversos e pouca grana.
Hoje o namorado dá início ao projeto "estação de roupas" onde ele montará o projeto de armário utilizando um varão de cortina, aramados de metal e uma prteleira de mdf. Assim que ficar pronto eu posto fotos!

Então, força na peruca minha gente, e vamos trabalhar!

sábado, 29 de setembro de 2012



Não sou do tipo que quer saber muito sobre a origem dos produtos que eu consumo. Sou uma típica garota de cidade, “piá de prédio”, criada a base do que está disponível nos supermercados.
Mas hoje me toquei que meu almoço é praticamente orgânico. Acho engraçado esse tipo de povo politicamente correto que paga R$10 o kg de cenoura orgânica, mas não se dá o trabalho de meter a mão na terra e plantar alguma coisa para ter um orgânico para chamar de seu.
Já eu tenho um tesão enorme em plantar coisas e só não planto mais por falta de espaço: continuo sendo “piá de prédio”. Mas o que posso eu cultivo: tenho manjericão, morango e alecrim na janela do quarto, orégano, cebolinha verde, tomilho e hortelã na sacada.
Hoje fui à feira, coisa que não faço com tanta freqüência por preguiça e por achar o preço das verduras (que não andam tão bonitas assim) meio salgado. Mas hoje queria comprar frango e sei que as barracas de lá comercializam frango de pequenos produtores que ainda criam os bichos de maneira mais natural com milho e raçãozinha básica, o famoso frango caipira.
Comprei uns tomatinhos cereja com aquela cara de tomate de jardim, sem a maquiagem química dos agrotóxicos, umas batatas e ovos caipiras que tenho certeza, terão aquela gema laranja que deixa qualquer massa com cara de massa de vovó. Da mesma barraca do frango ainda trouxe quatro lingüiças alemãs temperadíssimas, sugestão da Margot, dona da barraca e produtora das lingüiças, morcilhas, patê de porco, queijinho e demais delícias típicas do povo rural da região, um misto de alemães com italianos cada um com uma receita melhor do que a outra.
E La estava eu preparando meu almoço de mulher preguiçosa (enfio tudo na assadeira e cubro com papel alumínio) quando me dei conta de que a parada era orgânica! O frango criado de forma natural, os tomates sem agrotóxico, a lingüiça caseira e minhas ervas de sacada: tomilho e orégano. Tudo regado à um vinho branco chileno que com certeza não é orgânico mas daí seria esperar demais de mim!
No final das contas cozinhar é bom de qualquer forma. O que importa é imprimir sua marca, seu toque, seja com produtos orgânicos metidos à besta, seja com produtos orgânicos sem muita marra como essas belezinhas que achei na feira e que farão o maior sucesso na mesa.
É claro que grandes cozinheiros sabem exatamente a origem de todos os ingredientes e ficam de firula como aquele pessoal estranho com cara de bunda, que analisa vinho. Espero que após a faculdade de gastronomia eu não vire uma cara de bunda também. Por favor, se começar a me transformar, me avise!

sexta-feira, 8 de junho de 2012


Para L. com seu puro e perfeito coração flamejante.

 

E de repente, não mais que de repente, a festa acabou. Perdi a graça ainda sentada no banquinho, em cima do palco. Não tenho platéia, ninguém veio ver o espetáculo da garota with the flaming heart.

As luzes estão se apagando uma a uma e eu continuo a olhar para porta, para ver se você vai entrar, para salvar o show e me dar a última salva de palmas.

Mas veja só, meu amor, o pessoal já está lavando os copos e varrendo o chão.  Os garçons arrumaram suas namoradas de fim de noite e me olham com cansaço. O piano foi fechado e as estrelas brilham por brilhar.

Conformada, guardo minha voz e todas as minhas frustrações. Caminho pela noite gelada de menos um dia e mais uma noite longa, para desfiar uma a uma, as pedras do rosário de hipóteses que guardo ao lado da cama.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.


E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.


Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?


Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


Fernando Pessoa