Há alguns anos atrás li uma reportagem sobre pedofilia. Um caso extremo me deixou tão chocada que lembro-me dele até hoje: uma menina de 1 ano foi estuprada por todos os familiares em uma província da Índia. Ela foi internada e teve que passar por diversas cirurgias.
Ontem, vi um documentário sobre as ações humanitárias da Angelina Jolie. Dentre elas a entrega de alimentos a homens de uma província da Índia...
É provavel que nem sejam as mesmas pessoas. Mas foi inevitável pensar que o senso comum, quando aplicado à pessoas, muitas vezes é falho. É mais fácil colocarmos todos em um mesmo saco e analisarmos o grupo do que cada indivíduo separadamente.
Nem todo o velhinho é meigo. Se Hitler estivesse vivo e fosse um idoso, por exemplo, continuaria sendo um fascínora, apenas mais lento.
Nem todo o deficiente físico é legal. Conheço alguns que não valem um ovo.
Nem todas as crinças são puras e doces: algumas são más desde cedo batendo e aterrorizando mentalmente colegas de escola.
Acho que as ações da Angelina são incríveis visto que ela vai até lugares esquecidos por todos e coloca a mão na massa entregando uma parte do que o pessoal necessita. Mas me pergunto se algumas daquelas pessoas não merecem o infortúnio pelo qual estão passando e a mão amiga esteja sendo ludibriada pelo senso comum de que todo o pobre miserável é bom.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Fui tomada de um medo maluco essa semana. Nao lembro se foi no mercado ou no elevador, que me dei conta de que talvez eu fique solteira para sempre. Não foi um susto ou um pânico a ponto de pegar o primeiro cidadão e faze-lo meu namorado. É um medinho tímido que fica rondando minha cabeça, discreto mas sempre presente.
Para a grande maioria das minhas amigas e mulheres de 30 e poucos anos, ficar sozinha é aterrorizante. Todas querem casar, em primeiro lugar. Querem partilhar da dor e felicidade da maioria das mulheres que ja casaram e se preparam para viver a dois eternamente. Usar o vestido branco, dar a festa, usar uma aliança e planejar.
No meu caso é um pouco diferente. Eu ja casei, já tive um filho e o gostinho de quero mais é do filho, não do casamento.
O que me preocupa não é ficar solteirona; me preocupa eu não ter mais filhos, uma família. Uma família de um filho só é mais econômica, mais prática, menos cansativa. Mas se vcs me conhecem, sabem que eu não sou prática. Nos meus sonhos, minha casa é grande, com piso de madeira, uma varanda cheia de plantas e uma cozinha enorme, pronta para se cozinhar qualquer coisa. Na minha casa existem quartos, todos ocupados por filhos, no mínimo dois. E meus filhos me trarão seus amigos, suas namoradas, mais amigos, meus netos, quem sabe se eu me cuidar até bisnetos!
Sim, minha casa vai ter brigas, bagunça, confusão. Vou me sentir cansada, vou me perguntar se fiz a coisa certa, vou ter menos dinheiro do que esperava. Mas eu serei o coração de uma casa cheia de vida, de pessoas. Vou olhar para trás e pensar: tenho meu clã, fiz minha parte.
Nada vai me fazer mudar de idéia.
Para a grande maioria das minhas amigas e mulheres de 30 e poucos anos, ficar sozinha é aterrorizante. Todas querem casar, em primeiro lugar. Querem partilhar da dor e felicidade da maioria das mulheres que ja casaram e se preparam para viver a dois eternamente. Usar o vestido branco, dar a festa, usar uma aliança e planejar.
No meu caso é um pouco diferente. Eu ja casei, já tive um filho e o gostinho de quero mais é do filho, não do casamento.
O que me preocupa não é ficar solteirona; me preocupa eu não ter mais filhos, uma família. Uma família de um filho só é mais econômica, mais prática, menos cansativa. Mas se vcs me conhecem, sabem que eu não sou prática. Nos meus sonhos, minha casa é grande, com piso de madeira, uma varanda cheia de plantas e uma cozinha enorme, pronta para se cozinhar qualquer coisa. Na minha casa existem quartos, todos ocupados por filhos, no mínimo dois. E meus filhos me trarão seus amigos, suas namoradas, mais amigos, meus netos, quem sabe se eu me cuidar até bisnetos!
Sim, minha casa vai ter brigas, bagunça, confusão. Vou me sentir cansada, vou me perguntar se fiz a coisa certa, vou ter menos dinheiro do que esperava. Mas eu serei o coração de uma casa cheia de vida, de pessoas. Vou olhar para trás e pensar: tenho meu clã, fiz minha parte.
Nada vai me fazer mudar de idéia.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Mãe Ídolo
Quando me tornei mãe, senti uma gama de sentimentos bem grande. Me senti frustrada, amada, com medo, insegura, carente, ciumenta e hoje em dia me sinto, muitas vezes, fodona.
Quando o Bê não sabia expressar direito emoções mais efinadas ou não conseguia verbalizar muito bem as coias, foram inúmeras as vezes em que senti dúvidas quanto ao sentimento dele. Eu era sua mãe, aquela que trocava fraldas, dava mamadeira, trocava a roupa. Mas para ele isso era algo natural e não havia sentimento de gratidão ou a verbalização do sentimento. Cheguei a pensar que ele preferia ficar com o pai do que comigo.
O tempo passou, me tornei mais segura nessa relação, tal como a mulher se torna mais segura num casamento ao longo dos anos.
Hoje em dia, com a verbalização ótima e com o Bernardo pensando com mais maturidade, ele acha que eu sou fodona por que eu sei jogar os jogos que ele gosta, por que eu ja vi alguns filmes do Harry Potter, eu sei fazer massinha caseira e sei que o guepardo é o feilno mais rápido do mundo.
- Nossa mãe, como é que você sabe tudo do universo?!
- Por que eu estudei. Por que eu pesquiso na net, leio livros.
- Uau!
Mas eu não sei tudo do mundo. Sou um desastre na matemática, não tenho noção de distância, não sei jogar truco, não sei um monte de coisas! Então eu fico assim sem graça quando ele me diz que eu sou fodona, me sinto uma farça prestes a ser descoberta como o Papai Noel ou o Coelhinho da Páscoa.
Por outro lado é tão bom saber que ele me acha fodona! Por que ele é a pessoa mais importante do meu mundo e eu quero ser a melhor mãe de todas! E sei que essa fase dura pouco. Assim que ele crescer mais um pouco e os hormônios reinarem sobre aquele corpinho, eu passarei de mãe - ídolo para a temida mãe- establishment que ele vai querer ver longe porque de repente, eu não saberei de mais nada.
Quando o Bê não sabia expressar direito emoções mais efinadas ou não conseguia verbalizar muito bem as coias, foram inúmeras as vezes em que senti dúvidas quanto ao sentimento dele. Eu era sua mãe, aquela que trocava fraldas, dava mamadeira, trocava a roupa. Mas para ele isso era algo natural e não havia sentimento de gratidão ou a verbalização do sentimento. Cheguei a pensar que ele preferia ficar com o pai do que comigo.
O tempo passou, me tornei mais segura nessa relação, tal como a mulher se torna mais segura num casamento ao longo dos anos.
Hoje em dia, com a verbalização ótima e com o Bernardo pensando com mais maturidade, ele acha que eu sou fodona por que eu sei jogar os jogos que ele gosta, por que eu ja vi alguns filmes do Harry Potter, eu sei fazer massinha caseira e sei que o guepardo é o feilno mais rápido do mundo.
- Nossa mãe, como é que você sabe tudo do universo?!
- Por que eu estudei. Por que eu pesquiso na net, leio livros.
- Uau!
Mas eu não sei tudo do mundo. Sou um desastre na matemática, não tenho noção de distância, não sei jogar truco, não sei um monte de coisas! Então eu fico assim sem graça quando ele me diz que eu sou fodona, me sinto uma farça prestes a ser descoberta como o Papai Noel ou o Coelhinho da Páscoa.
Por outro lado é tão bom saber que ele me acha fodona! Por que ele é a pessoa mais importante do meu mundo e eu quero ser a melhor mãe de todas! E sei que essa fase dura pouco. Assim que ele crescer mais um pouco e os hormônios reinarem sobre aquele corpinho, eu passarei de mãe - ídolo para a temida mãe- establishment que ele vai querer ver longe porque de repente, eu não saberei de mais nada.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Trabalho em uma escola desde o ano passado, participando de um preojeto chamado Mais Educação. Minha turminha é formada por crianças- problema, onde trabalho afim de montarmos um jornal e dar-lhes uma visão geral sobre jornalismo.
Fiquei apreensiva a princípio, com o comportamento difícil das crianças. Mas foi com o portugês delas que eu fiquei apavorada.
A ferramenta principal do jornalismo é a língua portuguesa. É óbvio que eu não espararia ou cobraria um português impecável de crianças da 5ª série de uma escóla pública dos confins de Blaneário Camboriú. Mas o que eu lia em suas pequenas redações, era uma espécie de dialeto, uma língua que eu mal compreendia. Senti um misto de tristeza, raiva, frustração, pena. Por que analisando friamente, sei que essas crianças não terão um futuro brilhante ou pelo menos reluzente.
Em primeiro lugar porque em suas famílias, falar ou escrever corretamente não é necessário ou esperado. Muitas têm pais semi analfabetos que desocnhecem quase totalmente a língua portuguesa.
Em segundo lugar, os professores da rede pública são semi analfabetos. No meu convívio com os professores da escola eu sinto vergonha alheia e uma frustração imensa quando ouço meus colegas na sala dos professores fazendo concordâncias verbais erradas, cometendo erros absurdos, não sabendo redigir bilhetes para os pais.
Como é que essas crianças vão aprender, se os professores não aprenderam?
E gostaria de fazer uma reunião e expor o caso mas e o que isso mudaria? Seria necessário mudar um sistema inteiro. Seria necessário valorizar o profissional da educação afim de chamar pessoas bem educadas para fazer pedagogia e nao apenas as mulheres de baixa renda e pouca educação provenientes de ambientes onde o português não é estimado.
Tenho alunos incríveis, com potencial. Juro que se eu ganhasse na mega sena faria uma proposta indecente para ser tutora deles. Mas eu ainda não ganhei para isso.
Então o que me resta é tentar, por mais um ano, fazer alguma diferença. Mostrar graphic novels, estimulá-los a ler, a interpretar filmes a conhecer um pouco de tudo. Fazer com que abram suas pequenas mentes e criem, confrontem idéias, aprendam a pensar. Mas é um caminho longo, tortuoso e sem muita esperança.
Fiquei apreensiva a princípio, com o comportamento difícil das crianças. Mas foi com o portugês delas que eu fiquei apavorada.
A ferramenta principal do jornalismo é a língua portuguesa. É óbvio que eu não espararia ou cobraria um português impecável de crianças da 5ª série de uma escóla pública dos confins de Blaneário Camboriú. Mas o que eu lia em suas pequenas redações, era uma espécie de dialeto, uma língua que eu mal compreendia. Senti um misto de tristeza, raiva, frustração, pena. Por que analisando friamente, sei que essas crianças não terão um futuro brilhante ou pelo menos reluzente.
Em primeiro lugar porque em suas famílias, falar ou escrever corretamente não é necessário ou esperado. Muitas têm pais semi analfabetos que desocnhecem quase totalmente a língua portuguesa.
Em segundo lugar, os professores da rede pública são semi analfabetos. No meu convívio com os professores da escola eu sinto vergonha alheia e uma frustração imensa quando ouço meus colegas na sala dos professores fazendo concordâncias verbais erradas, cometendo erros absurdos, não sabendo redigir bilhetes para os pais.
Como é que essas crianças vão aprender, se os professores não aprenderam?
E gostaria de fazer uma reunião e expor o caso mas e o que isso mudaria? Seria necessário mudar um sistema inteiro. Seria necessário valorizar o profissional da educação afim de chamar pessoas bem educadas para fazer pedagogia e nao apenas as mulheres de baixa renda e pouca educação provenientes de ambientes onde o português não é estimado.
Tenho alunos incríveis, com potencial. Juro que se eu ganhasse na mega sena faria uma proposta indecente para ser tutora deles. Mas eu ainda não ganhei para isso.
Então o que me resta é tentar, por mais um ano, fazer alguma diferença. Mostrar graphic novels, estimulá-los a ler, a interpretar filmes a conhecer um pouco de tudo. Fazer com que abram suas pequenas mentes e criem, confrontem idéias, aprendam a pensar. Mas é um caminho longo, tortuoso e sem muita esperança.
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